
É que bate aquela preguiça. Aquele desânimo. Aquela vontade de passar o dia na cama, no quarto, sozinha. Sem ninguém, sem alguém, sem barulho, sem contato. Sem dar bom dia, sem gentilezas, cumprimentos, obrigações e formalidades. Sem aquelas vozes ao fundo, aquele calor insuportável, aquela constante mecanização de todos os outros dias. Sem a conversa furada, parada e sem graça. Sem essa vida tão sem voz e tão vazia e tão sem sentido. Só eu e eu mesma. Só eu e minha solidão induzida, que é quase minha melhor escolha e sempre minha principal solução. — (ivalentim)

Deitei na cama e suspirei pesadamente. Pela primeira vez no dia, parei de sufocar o que eu realmente sentia e permiti que doesse um pouquinho. Às vezes é bom, sabe? Deixar a ferida meio aberta. Tenho medo de esquecer algum dia. Tenho medo de virar só uma lembrança, como as outras.
Falei, baixinho, com medo até de eu mesma me ouvir dizendo isso:
— Sinto sua falta.
Tipo, muita.
Tipo de ser difícil respirar quando penso em você, literalmente. Literalmente mesmo. Um dia desses perguntei se era normal isso à uma amiga. Incrivelmente ela já sentiu isso, até me senti melhor de não ser a única tonta no mundo.
E todo meu corpo ficou pesado demais. Afundei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos, ciente do nó na garganta e do aperto no peito (Será que tem remédio pra isso? Será que mata?). Até quando isso, pelo amor de Deus?
Dormi com a promessa mental que eu faço todas as noites: amanhã passa.